
Senado ''descobre'' que tem 181 diretores e decide cortar metade!
Em mais um ato político para responder à onda de escândalos, Sarney anuncia reforma administrativa na CasaEugênia Lopes?
A Diretoria de check in, para facilitar o embarque dos senadores nos aeroportos, diretoria de visitação, para acompanhar a visita de turistas ao Senado, e ainda uma outra apenas para cuidar das comunicações por rádio em ondas curtas.
O Senado tem 181 diretores em seu quadro funcional, o que representa mais de dois para cada um dos 81 senadores.
Segundo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a ideia é reduzir pela metade o número de cargos de direção na reestruturação administrativa que será promovida na Casa. O que significaria que, depois da reforma, o Senado terá em média um diretor por senador.
A profusão de diretores é tão grande que, por ironia, a própria direção do Senado teve dificuldades para levantar o número exato. Na terça-feira, depois que Sarney determinou o afastamento dos funcionários dos cargos, foi divulgado que a medida atingiria 131 pessoas, depois 136. Ontem o número variou algumas vezes até fechar em 181. Tantos cargos exigiram criatividade na hora de designá-los.
A diretoria de check in, por exemplo, é conhecida oficialmente pelo nome de "coordenação de apoio aeroportuário". Uma das diretorias é ocupada por uma jornalista que faz as vezes de assessora da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA).
A maioria dos diretores ganha em torno de R$ 20 mil, mas muitos, pela antiguidade como funcionários de carreira do Senado, recebem o teto, R$ 24,5 mil.A expectativa é que a reestruturação administrativa seja concluída em seis meses. O anúncio da reforma foi feito ontem por Sarney, em mais um ato político para tentar dar a resposta às denúncias de irregularidades na Casa.Por enquanto, Sarney assinou apenas um protocolo de intenções com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que ficará encarregada de fazer uma auditoria e os estudos para enxugar a máquina administrativa. Sarney pediu na terça-feira que os diretores do Senado pusessem seus cargos à disposição, mas, até o início da noite de ontem nenhuma exoneração havia se se efetivado.Na solenidade de assinatura do protocolo com a FGV, Sarney fez um desabafo: "Não tenho mais aspiração política, a não ser cumprir este meu último mandato. Portanto irei fazer o que for necessário." Diante de uma dezena de senadores, ele afirmou que o Senado "precisa sair dessa discussão menor", em referência às denúncias contra a Casa (veja quadro)."Todos (os diretores) vão sair e vamos analisar pelo critério de mérito quem vai ficar. Coloquei meu nome, minha carreira, mais uma vez, sem necessidade. Vocês têm de compreender que para mim não é fácil. Aceitei prestar um serviço à Casa", argumentou Sarney, ao afirmar que também não sabia da existência de tantos cargos de direção no Senado. "Não é do meu temperamento ser a palmatória do mundo."MAR DE ROSAS"Os diretores continuam nas suas funções. Não podemos demitir todos de uma vez só. Vamos analisar caso a caso e esperar o estudo encomendado à Fundação Getúlio Vargas. Não podemos estipular prazos. Mas, em seis meses quero estar num mar de rosas, em céu de brigadeiro", disse o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário do Senado.Depois de anunciar a reestruturação do Senado, Sarney reuniu-se com os integrantes da Mesa Diretora e acertou a adoção de novas medidas. Além de instituir o ponto a partir das 18h30 para controlar o pagamento de hora extra aos servidores, a cúpula do Senado resolveu limitar o benefício. Ficou acertado ainda que os terceirizados serão substituídos aos poucos por funcionários concursados.

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